Parnaso em Fúria 01

A lírica de Felipe D´Castro...

Valéria Vicente

Sábado, 05 de junho de 2010



     Trago agora mais um ser mergulhado no mundo da poesia, e talvez por estar tão fundo mesmo, é que ainda não tenha sido visto. Vejam a poesia simples e profunda, direta e tocante de Valéria Vicente:




Recomendações


Por que tens duas caras
Se não tens dois corações?
Será que tenhas vivido duas vidas
Ou será uma temível fantasia?

Que se tenha estranhado
Tua antipatia sorridente
Desde o primeiro bom dia
De um mau dia de chuva.

Contendo nas veias
O sangue frio da vaidade
Onde até os últimos olhares
Correspondem às últimas tentativas
Daqueles que nunca desistiram
De um único olhar frio
E persistente teu.

Então pedimos que não tenhas
Caridade conosco, nem aborrecimentos
Somente entendas como uma
Preocupação ao teu bem-estar
Simetricamente lamentamos
A tua perseverança.


(Há uma simplicidade invejável em deduzir e analisar a alma humana como diria outrem, afinal, para que se ter duas caras e um coração apenas?...)




A primeira vez que fui ao Rio


De tanto ver
Rio de braços abertos
Me deu vontade de descer
Da cama,
Voar de bondinho,
Escalar o Pão de Açucar,
Abraçar o Cristo Redentor,
Encontrar um novo amor
E sair desse isolado quarto.

Ah, se eu pudesse
Pelo menos uma semana
Sair dessa depressão
Tomar banho em Copacabana
Ser uma celebridade
Mas que pena
Minha novela acabou
Parei de imaginar...
Porém, como basear numa coisa
Que nunca vi pessoalmente?
Só resta agora
A solidão do meu quarto
Para eu sonhar e quem sabe
Um dia passar a verdadeira emoção:
"Flutuar no bondinho"


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Entrevista de Emprego

A chuva me molhou
Me refrescou
E o sol me secou
Durante a caminhada
Desta vida.

Já chorei
Já sofri
Pensei que eu iria morrer
Mas não morri
Estou aqui
Iludida ou não
Isso eu não sei.

Só sei que a minha vida
Tornou-se um tédio
Só estudo e não trabalho
Sem dinheiro e cem sonhos
Pra realizar

Por isso que vim
Sentar e contar
Lamentar e chorar
E até ajoelhar
Se for preciso

Pois não quero
Lavar, passar
E nem cozinhar
Eu quero trabalhar
Ganhar e gastar

Hoje sou eu
Quem implora
Mas quem sabe
Amanhã trocaremos
Os papéis?!...



Termino por aqui a apresentação de mais um escritor que (ainda) não publicou!

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