Parnaso em Fúria 01

A lírica de Felipe D´Castro...

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O Tombar das Esculturas

E assim vai-se desconstruindo um homem...
Dar-se a ele o que mais o querer lhe supre,
Toma-lhe aquilo que por mais o desnutre,
Abunda-o do que seus irmãos têm fome.

Segrega-lhe as penas tão imunes,
Rasga-lhe o néctar qualquer que tomem,
Deixa-o florescer sem mostra-se o nome,
Dai-o amores seletos e circunde-os.

E assim caem esculturas tão belas...
Cem mil vezes cairão deste jeito
Com cem mil braços a levantarem elas.

Cem mil pernas sustentarão suas pernas,
Cem mil mãos acalentar-lhes-ão o peito,
Mas sem corações doerão suas dores internas.



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