Parnaso em Fúria 01

A lírica de Felipe D´Castro...

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Mandacaru

Mandacaru
Quando fulora na seca
É o siná que a chuva chega
No sertão

- Xote das Meninas, Luiz Gonzaga -


Água que dorme no mandacaru
Que venha de ti a serena sina
De ser dulcissimamente a assassina
Daquela que alimenta os urubus.

Que venha de ti ou do céu azul
A morte severa da que malsina
As vidas invisíveis que se assinam
Neste Brasil de vãos nortes e suis.

Vem, santa vênera do sertanejo,
Vem destrinchar as vidas calejadas
Com tuas veias todas escancaradas

A nutrir desde o ilustríssimo Tejo
Até o cacto que no árido aflora
Anunciando o mau que vai-se embora.        


Confissão In Soneto

Minha senhora, venho por este soneto
Dizer-lhe o que muito por dentro me aflige
Pois aquilo que muito por fora te dizem
Incrustar-se-ão por máscaras de suspeito

O fato é que o fato da pena exige
E que por mais sensato bata-me cá o peito
É bem verdade que é dentro lá do teu leito
Que o amor, amar, amei e amarei existem

Mas, voltemos ao soneto, senhora minha!
Ainda que se obture cá o meu pesar,
É o pesar teu que cá o meu pesar retinha

E de pesar em pesar, oh, digna senhora
Deves pesar - e isto o que ouso tratar –
Aquele que primeiro deve ir-se embora.
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